Ainda que a ONU tenha realizado em 1977 a Conferência de Mar del Plata para tratar da água o tema permaneceu sem maior relevância até os anos 90. Documentos internacionais importantes tratando da questão ambiental, como O Nosso Futuro Comum (1987), a Agenda XXI (1992) e a Carta da Terra (1992), chegam a surpreender pelo tratamento tímido que a água mereceu, sobretudo, quando comparamos com o destaque que vem tendo a partir da segunda metade dos anos 1990, a ponto de a água ser apontada como a razão maior das guerras futuras.
Hoje, pode-se dizer que estamos diante de uma questão da água do mesmo modo que se fala de questão agrária ou de questão urbana. Indaguemos, pois, as razões que levam a água a ser posta em questão e, ao mesmo tempo, identificando os diferentes protagonistas que o fazem.
A água é essencial à vida. A vida não só surgiu na água, como não há vida sem água. Os seres vivos têm seus corpos constituídos em 70%, em média, por água. A água é fundamental para o metabolismo de todo ser vivo, inclusive, a espécie humana. Qualquer atividade humana implica mais ou menos água, direta ou indiretamente. Mesmo as grandes aglomerações urbanas não podem prescindir da água não só para as diversas atividades que nelas se desenvolvem como para o abastecimento de suas populações. Enfim, a água, diferentemente de qualquer outro mineral, é insubstituível. Um rápido olhar sobre a distribuição geográfica da humanidade pelo planeta nos dá conta de que é em torno dos rios, dos lagos, dos oásis ou junto ao litoral, sobretudo próximo às desembocaduras de rios, que se encontram as maiores densidades demográficas.
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